Resenha: Fahrenheit 451, do Ray Bradbury

20:40

Uma sociedade onde os livros são considerados ameaças.
Quer ser antissocial? Tenha uma opinião própria.
Quer ser louco também? Pratique o ato de pensar.
Clay Montag é um bombeiro desse não-tão-estranho mundo, onde o ato de ler é um crime, onde as televisões são interativas (e por sua vez, mais dominadoras), onde as pessoas não se importam com as outras, ou com a vida, ou com nada. Os bombeiros são heróis, não por combaterem os incêndios, e sim por fazê-los. Exterminar os livros. Combaterem o pior crime desse mundo. Essa atmosfera infelizmente é um pouco familiar, não de um jeito direto, mas nos faz refletir o quanto os valores da sociedade atual estão tornando seus indivíduos serem criaturas robotizadas, sem pensamento próprio. Formulam o que querem, mostram essa informação e nós, humanos(?), engolimos sem nem pensar, sem hesitar. É o "normal". Pensar pra quê, né?
Os livros servem para nos lembrar quanto somos estúpidos e tolos. P. 113
O próprio pensamento é considerado algo anormal na história de Fahrenheit 451. Quando Clay conhece sua vizinha, Clarisse, ele começa a refletir sobre o mundo a sua volta. Ele começa a ver que a sociedade em que está inserido não passa de uma algo morto, algo sem vida, algo sem porquês. Clarisse faz perguntas e pensa sobre coisas simples, que só fazem acentuar a falta de vida que as pessoas dali têm. Ela é considerada louca só pelo fato de pensar. E agora, nosso amigo Clay vai deixar de ser apenas mais um daquele sistema, e começa a ter a nossa visão, a visão de leitor. Começa a questionar e não aceita tudo aquilo. Quer respostas e vai em busca delas.
Eu vi o rumo que as coisas estavam tomando, muito tempo atrás. Eu não disse nada. Sou um dos inocentes que poderiam ter elevado a voz quando ninguém atentava para os "culpados", mas não falei e, com isso, eu mesmo me tornei um dos culpados. P. 108

O livro é mais uma distopia que eu li esse ano (estou viciada nesse gênero, hue) e das que eu li essa foi uma das mais leves. Digo, na parte da escrita, a leitura flui de um jeito normal, sem complicações. Achei a trama em si muito boa, porque, por mais que seja algo absurdo, nos traz uma reflexão para a atualidade. E isso meio que me assusta, assim como me assustei lendo 1984 do George Orwell e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley: apesar de serem histórias ficcionais, têm um quê de realidade.
Talvez os livros possam nos tirar um pouco dessas trevas. Ao menos poderiam nos impedir de cometer os mesmos malditos erros malucos! p. 100
Acho que um livro contando a história de um mundo sem livros com certeza vai assustar qualquer leitor, huehuehue xD Mas, fica aí a dica. Terminei esse livro querendo ser como Clarisse, a garota que não se contentava com o estado das coisas, que não só olhava; e sim, enxergava.
É um livro realmente interessante, o final é diferente em comparação às outras distopias que eu li e deixa uma interrogação pra quem o lê, que de um certo modo me incomodou (acho que tô acostumada com finais certos) mas aprendi a compreender esse desfecho.
Ou seria... um início?, rs.
O sol ardia todo dia. Queimava o Tempo. p. 175

Nota:
♥♥♥♥♥ (5/5)

FICHA TÉCNICA:
Nome: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Número de páginas: 216
Editora: Globo
Ano: 2010
ISBN: 8525037249
// NO SKOOB // 

Espero que tenham gostado,
Kissus

Você gostaria de ver

10 comentários

  1. Parece muito interessante *3* Apesar de se 'assemelhar' ao que temos nos dias de hoje, fico mais que feliz em saber que as pessoas estão muito mais abertas ao hábito da leitura, já não é tão incomum e absurdo quando costumava, então estamos cada vez mais distantes da situação retratada e criticada no livro ♥ Gostei muito da resenha, viu?

    Beijos, kaorii.com!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Isso também me anima *-* Mesmo que há pessoas que já estão usando livros como produtos do 'sistema', e não como 'veículos de humanização', realmente, é muito legal ver que a cada dia que passa as pessoas, sobretudo os jovens, estão se interessando e mantendo o hábito de leitura :33 Aww, obrigada Clara ♥

      Excluir
  2. Muito legal, apesar de não ser o estilo de livro que leio, achei bem interessante ^^
    muchdreamer.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que tu gostou *u* Thanks pela visita, Sharon! :)

      Excluir
  3. Eu li esse livro ano passado. Eu fiquei meio bolada com o final. Tipo acabou não acabando e eu tenho um troço com continuação, sabe?
    Eu adorei a ideia da utopia que eles criaram. Adorei prum livro ta? Porque se isso acontecesse de verdade eu ficaria louca, seria uma fugitiva ou poderia me queimar com meus livros. Nossa e falando em queimar livros, toda vez que eles falavam disso me dava um aperto no coração. Estou até com lagrimas nos olhos com essa imagem que voce colocou. Nossa, eu nao aguento ver maus tratos com livros, eu os amo. Esse livro é realmente muito bom. Afinal, é um clássico neh?

    P de Paranoia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O final decepciona mesmo; mas, ultimamente tenho lido livros que os desfechos não são exatamente desfechos que já até estou acostumada, rs. Quantos livros acabaram e eu fiquei 'sério, acabou aí????' Também gostei e achei bem construída. É tanto que eu ficava seriamente agoniada com as pessoas daquela sociedade, dava vontade de agarrar uma, dar uns tapas na cara (principalmente a Mildred, que horror de pessoa, huahduhas) e falar: "filha, acorda pra vida" Realmente, dá uma dor no coração quando falava nos livros queimados. O pior é que tem gente que, hoje em dia, faz isso ;u; Mas enfim, que bom que gostou do livro >_< É muito bom mesmo!
      Kissus, Nami ;)

      Excluir
  4. Poxa me pareceu muito bom! Fiquei interessada, não tinha ouvido falar ainda ^^ Deve ser realmente estranho ler sobre não ter mais livros o.o
    Obrigada pelo coment lá no blog, ficou um pouco confuso mas acho que compreendi, sua opinião é muito parecida com a minha!

    Beijos, Carol do Aquela Princesa

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito estranho mesmo ~xD Espero que você leia, a história é muito boa mesmo!
      Haha, Carol, desculpa por isso; é o meu jeito mesmo, sou bem confusa pra falar sobre certas coisas. Kissus

      Excluir
  5. Já vi esta premissa em algum lugar... ops, na vida real claro! KKKK
    Achei muito interessante, e que se assemelha muito com o que algumas pessoas passaram, ou ainda passam.

    www.booksever.blogspot.com

    ResponderExcluir
  6. Olá

    Amo esse livro, umas das melhores distopias que eu já li. Nesse ano também conferi Admirável Mundo Novo, que também amei. Sério que não curtiu o final? Eu o achei tão sensacional haha e também adorei o filme.

    Abraço!
    www.umomt.com

    ResponderExcluir

olá, obrigada por comentar!
sim, vou responder seu comentário e se você deixar o link do teu blog aqui tentarei fazer uma visita, e, quem sabe, marcamos para tomar sorvete qualquer dia desses.
beijos no coração!